quarta-feira


1976, en una cárcel del Uruguay: Pájaros Prohibidos

Los presos políticos uruguayos no pueden hablar sin permiso, silbar, sonreir, cantar, caminar rápido ni saludar a otro preso. Tampoco pueden dibujar ni recibir dibujos de mujeres embarazadas, parejas, mariposas, estrellas ni pájaros.
Didasko Pérez, maestro de escuela, torturado y preso "por tener ideas ideológicas", recibe un domingo la visita de su hija Mylay, de cinco años. La hija le trae un dibujo de pájaros. Los censores se lo ronpen a la entrada de la cárcel.
Al domingo siguiente, Milay le trae un dibujo de árboles. Los árboles no están prohibidos y el dibujo pasa. Didasko le elogia la obra y le pregunta por los circulitos de colores que aparecen en las copas de los árboles, muchos pequeños círculos entre las ramas:
-¿Son naranjas? ¿Que frutos son?
-Ssshhh
En secreto le explica:
-Bobo. ¿No ves que son ojos? Los ojos de los pájaros que te traje a escondidas.

Eduardo Galeano.

segunda-feira


Hoje sonhei com você. Estranho, mas bonito que só.
E hoje, antes de dormir de novo, te dei razão.
Realmente, meu caro,  o mundo é um moinho.

quinta-feira

 I

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

II


Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.


III


Alturas, tiras, subo-as, recorto-as
E pairamos as duas, eu e a Vida
No carmim da borrasca. Embriagadas
Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa.
Que estilosa galhofa. Que desempenados
Serafins. Nós duas nos vapores
Lobotômicas líricas, e a gaivagem
se transforma em galarim, e é translúcida
A lama e é extremoso o Nada.
Descasco o dementado cotidiano
E seu rito pastoso de parábolas.
Pacientes, canonisas, muito bem-educadas
Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.

Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida


IX


Se um dia te afastares de mim, Vida — o que não creio
Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida —
Bebe por mim paixão e turbulência, caminha
Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as)
Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te
Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado
vazio.
Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso:
compreenderá
O porquê de buscar conhecimento na embriaguês da via
manifesta.
Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica:
O êxtase de te deitares contigo. Beba.
Estilhaça a tua própria medida
.

Hilda Hilst

Inesquecível







Let's Jazz



Pessoal, indico o site www.smallsjazz.com. É a página de um clube de jazz de New York, com vários e excelentes arquivos de áudio e vídeo dos shows que acontecem por lá. Uma delícia.
Você clica no instrumento que mais gosta e surge a lista de artistas que o utilizam. 



Entrem. Ouçam. Divirtam-se. Alimentem a alma.

segunda-feira







porque só isabel coixet pode fazer uma coisa dessas....



"A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias". 
nietzsche



"E assim, mais uma coisa a Bunda se torna. Como tudo. Como as coisa que eu tranco na sala ao lado."
O Cheiro do Ralo




-Você conhece o amor?
-Não.
-Nem vai conhecer!

(Abril Despedaçado)
E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
clarice lispector

The Shining
No matter how hard you try.
You will never be as cool as Bowie.
maiakovski

"Afora o seu olhar
Nenhuma lâmina me atrai com o seu brilho

maiakovski

sexta-feira

Do que desencadeia coisas inexplicáveis dentro de nós


Sensibilidade estonteante. Delicadeza absoluta. O olhar de Selton Mello é comovedor. A fotografia é belíssima. Não há adjetivos capazes de descrever a atuação de Jorge Loredo, como sempre, ele está acima da crítica. A música tem sincronia perfeita com o que o filme não diz mas quer dizer. Não há nada mais bonito e mais raro do que coisas que causem questionamentos sentimentais.
O curta emociona, hipnotiza e comove.
Assistam. Sintam. Indiquem. Se apaixonem.